AincidênciademovimentossociaisvoltadosparaaeducaçãonaAméricaLatina
e no Caribe
tem aumentado
nos últimos anos. São organizações
criadas por líderes civis, sociaiseempresariaisquecompartilham
a visão de que a promoção
da educação de qualidade para
crianças e jovens, sobretudo no
que diz respeito ao acesso, é uma
dasestratégiasmaiseficazespara
tornar a nossa sociedade menos
desigual e mais competitiva.
Paratantoénecessáriomobilizar
a opinião pública em torno
desse objetivo, incentivando,
apoiando e trabalhando junto
aosgovernosparamanteraspolíticas
públicasemdia. Esse trabalhoéamploecomplexo.
Aeducação
básica na América Latina e
noCaribeconstitui-senumdesafioenumaoportunidade,
aomesmotempo.
Hoje praticamente todas as
crianças da região alcançam a
educação básica e o acesso aos
níveis fundamental emédiovem
aumentando consideravelmente.
Isso ocorre porque amaioria
dos sistemas educativos da regiãoimplementoudiversasreformas.
De todo modo, os avanços
não são suficientes. Ainda há
crianças e jovens fora da escola e
permanecem padrões intoleráveis
de exclusão e iniquidade.
Emnossaregiãohá23milhões
decrianças e jovens–entre 4e 17
anos – fora do sistema educativo.
Entre os que estão em idade
pré-escolar,30%não vão à escola.
E esse índice ultrapassa os
40% em grupos de populações
maisvulneráveis–comunidades
pobres, rurais, indígenas e afrodescendentes.
Ainda assim, o principal desafio
educacional da região, atualmente,
é a baixa qualidade de
aprendizagem dos estudantes.
Estudosnacionais,regionaiseinternacionais
indicam que os
graus de aprendizagem são muito
baixos em todos os níveis, assim
como são desiguais entre
grupos socioeconômicos; inferiores
aos países desenvolvidos
e de renda per capita similar; e
inadequados para as novas demandas
sociais.
A evidência empírica sugere
que os estudantes latino-americanosnãoestãoadquirindoosníveis
necessários de habilidadeschaveparaaconstruçãodesociedades
democráticas e igualitárias.
Essasituaçãoéexplicadapelo
baixo investimento por aluno,
pelo atraso e concentração da
gestão educativa, pela carência
desistemasdemonitoramentoe
avaliaçãodaqualidade,pelosprecários
e eventuais perversos incentivos
ao ensino e pela falta de
visão estratégica e continuidade
nas políticas públicas.
Oconteúdodoensinonãocondizcoma
realidade dos estudantes,
que abandonam prematuramente
os estudos; os professoresperderamoprestígioerespeito
nas comunidades e deixaram
de cumprir sua tradicional função
de liderança; os pais não sabemoque
exigir das escolas; eos
grupossociaisatuamsemobjetivos
comuns.
Diante dessa realidade, os movimentos
sociais e organizações
da sociedade civil dedicados à
educação vêm desempenhando
papelfundamental.Essasorganizações
são o “termômetro” do
que acontece na sala de aula e no
ambiente escolar. Atuam diretamentenascomunidadeseunidades
de ensino, com professores,
alunos e grupos familiares. Desenvolvemanálises,
estudos,projetoseducacionaiscomplementareseapoiamodesenhoeconstrução
de políticas públicas.
No Brasil, o Movimento TodospelaEducaçãoéumexemplo
de como a iniciativa privada, a
academiaegestorespúblicospodemreunir
esforçosnumaagenda
de desenvolvimento ampla,
com ações concentradas e coordenadas.
Esse movimento busca
omesmoqueas outras organizações
da região dedicadas ao tema:
garantiro direito de todas as
crianças e jovens a uma educação
de qualidade.
Nos outros países da América
LatinaedoCaribe,auniversalizaçãodoensinotambéméperseguida
e movimentos bem
estruturados começam a
apresentar resultados. Nesse
contexto, a construçãode
uma rede com essas organizações,
considerando as
grandes similaridades entres
os países latino-americanos,
poderia ser a ponte
decompartilhamentodeexperiências
bem-sucedidas e
lições aprendidas.
Por considerar todas essas
variáveis, a Rede Latinoamericana
de Movimentos
Sociais para a Educação começa
a ganhar corpo. Organizações
da sociedade civil
deBrasil,Argentina,Colômbia,
Chile, Guatemala, Honduras,
El Salvador, México,
Peru, República Dominicana,
PanamáeEquadorreuniram-
se em 16 de setembro,
em Brasília, para marcar o
compromisso público de
contribuir para a universalização
da educação de crianças
e jovens.
Trata-se de uma rede diversa
tanto no tocante às origens
de cada organização quanto
ao percurso já transcorrido, o
que só enriquece o intercâmbio
doconhecimento a ser aplicado.
OBanco Interamericano de Desenvolvimento(
BID)temapoiado
essa iniciativa, tendo como
principal missão aprender com
taisorganizações efacilitar a sua
articulação.
É importante pensar a educação
não apenas no contexto nacional,
masbuscandoníveiseducacionais
ascendentes para toda
a região. E isso requer um compromisso
de todos os países, de
seus respectivos gestores públicos,
da sociedade civil, da academia
e do setor privado.
A ideia da rede é criar condições
para que as políticas públicas
dos países latino-americanos
sejam bem-sucedidas, com
açõesquevisam aoacessoao conhecimento,
à transferência,
adoção e adaptação de soluções
estratégicaseaoaumentodopotencial
de incidência dos governos,
apartirdeumamaiorvisibilidade
com novos canais de comunicação.
Ainda no marco da cooperação
Sul-Sul, esse tipo de iniciativa
evidencia a necessidade de
que os países trabalhem cada
vez mais integrados diante dos
desafiosdo desenvolvimento de
nossa região. Nesse sentido, a
educação é fator primordial de
uma agenda de reformas sociais
em que o Brasil vem demonstrando
liderança. Nascem uma
nova base de apoio aos gestores
públicos da região e uma nova
forma de pensar a educação,
comofortalecimentoeaparticipação
da sociedade civil.
Jornal ESTADÃO 8-11-2011

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